Os 200 anos de OsorioO centauro. O lendário. A Lança do Império. O general intrépido que combatia no front das batalhas. O estrategista cujas façanhas impressionavam até os inimigos. O guardião das fronteiras do Brasil. Estes e outros atributos serão relembrados, hoje, nas comemorações pelo bicentenário do marechal Manoel Luis Osorio - o Patrono da Cavalaria brasileira.
Ele nasceu em 10 de maio de 1808, na vila Nossa Senhora da Conceição do Arroio (originou o município de Osório, hoje pertence a Tramandaí). Despertou para a vocação militar ainda piá. Antes dos 15 anos, alistou-se para lutar contra os portugueses que se insurgiram contra a independência do Brasil. Eram os tempos do "pica-fumo" - no jargão dos quartéis, o mais moço; no linguajar dos gaúchos, o novato que pica o fumo em corda para o patrão fechar o cigarro de palha.
Manoel Luis Osorio esteve a serviço do Brasil nas principais conflagrações ao longo do século 19. Empunhou sua temível lança nas guerras contra os vizinhos uruguaios e argentinos e na Revolução Farroupilha (1835-45). Brandiu o pesado sabre recurvo na Guerra do Paraguai (1865-70), sendo ferido no campo de batalha.
Osorio ganhou todas as estrelas do Exército, foi senador, ministro, conselheiro de dom Pedro II. Recebeu os títulos de barão, visconde e marquês, a coleção de medalhas não caberia na sua farda. Era admirado por Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, os adversários também reconheciam sua bravura. O argentino Domingos Sarmiento (depois presidente do seu país) elogiou a cavalaria ligeira de Osorio:
"... notáveis cavaleiros: montavam até em potros com a elegância que não tinham os gaúchos argentinos. Laçavam com qualquer das mãos, sem que seus arreios militares, suas lanças, suas espadas e pistolas à cintura os embaraçassem".
Autor de dois livros históricos produzidos para o bicentenário, o coronel Pedro Paulo Cantalice Estigarríbia ressalta que a comoção em torno da morte de Osorio, em 1879, aos 71 anos, pode definir a importância do Patrono da Cavalaria. O poeta gaúcho Múcio Teixeira, contemporâneo de Osorio, registrou que a "nação inteira" cobriu-se de luto.
Fontes: livros Osorio e Episódios Militares, do coronel Pedro Paulo Cantalice Estigarríbia. As ilustrações são desses livros e do acervo do 3º Regimento de Cavalaria de Guarda - Regimento Osorio, do Comando Militar do Sul (CMS).
( nilson.mariano@zerohora.com.br )
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